A história narrada nas ruas baianas conta a vida e as aventuras dos Capitães da Areia, meninos de rua, sem pais, que vivem de furtos e moram em um trapiche na beira da praia. O início do livro, através das cartas, já começa com a preocupação de Jorge Amado em mostrar como a situação gera discussões muitas vezes sem solução.
Capitães da Areia é um livro que cumpre não só seu papel de denúncia social como vai além e comove com sua história real e descarada, rica em detalhes. Crianças, que, obrigadas a viverem suas situações diárias de sobrevivência são muitas vezes mais adultos e "maduros" que muita gente. Por mais que ajam como adultos, no fundo não são mais do que crianças que também necessitam do amor dos pais e um lugar digno pra viver.
Impostos à condição de miséria, é impossível esquecer e não refletir sobre suas vidas. A forma direta e sem frescuras que o autor aborda temas como sexualidade, violência, fome e carinho de pais faz com que nunca se passe por uma história onde Jorge Amado camufla suas dificuldades e inocência. O livro escrito em 1937 impressiona e espanta com sua atualidade. Como esta realidade não mudou? Está claro porque marca a literatura e cada leitor. Vale muito a pena!
Maína Pedrotti
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